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Publicado em 22 de Maio de 2017 às 15:54 - Notícias Fitrae

Artigo - O rei está nu: Fora Temer!

Por José Geraldo de Santana Oliveira*


O escritor dinamarquês  Hans Christian Andersen fez publicar, no ano de 1837, o seu famoso conto “A roupa nova do rei”, inspirado na obra de Juan Manuel, escrita no século XIV, contendo a compilação de dezenas de contos morais, de várias fontes, dentre elas, a do imortal Esopo.


No referido conto, o rei (indeterminado), do alto de sua vaidade e arrogância, é convencido por um  contumaz astuto, que se travestiu de tecelão, a contratá-lo para fazer-lhe uma roupa nova, tecida com fios de ouro, que o distinguiria, ainda mais, perante os seus súditos, e faria corar de inveja os seus adversários.


Incontido na sua empáfia, o rei cobriu o contratado de ouro e regalias, na ânsia de obter, com a maior brevidade possível, a sua roupa nova. Só que o pretenso tecelão, que nada sabia do ofício, mas que tudo sabia de velhacaria, ludibriou o rei e os seus sequazes, nada tecendo e sempre adiando a entrega da mercadoria vendida.


Todas as vezes que era instado a mostrar o seu trabalho, não fazia de rogado, afirmando que ela era visível a todos quantos não fossem estúpidos. Constrangido, o rei não tinha coragem de lhe dizer que nada via.


Como a empáfia e a arrogância, via de regra, leva à estupidez, o rei, tão ou mais sórdido do que o falso tecelão, acedeu aos encantos deste, e, prontamente, convocou os seus súditos para uma grandiosa festa para mostrar-lhe a sua roupa nova, até então invisível, inclusive aos seus olhos.


Para o pomposo desfile, o rei despiu-se de seus trajes, para que o falso tecelão fingisse que lhe vestia a roupa nova. Ato contínuo, saiu em majestoso desfile, provocando contidos risos da populaça. Até que um menino, com a franqueza peculiar a toda criança, gritou: o rei está nu.


Mesmo constrangido, ao tomar consciência de que era verdadeira a sua suspeita de que não havia roupa alguma, o rei não se fez de rogado e deu ordem para se dar continuidade à procissão de seu vexame.


Dando azo ao vaticínio do escritor irlandês Oscar Wilde de que a vida imita muito mais a arte do que o contrário, as delações dos donos do grupo empresarial JBS, ampla e propositadamente divulgadas a partir do dia 18 de maio corrente, transformaram em fatos reais o citado conto de Andersen, desnudando os falsos paladinos da moralidade: Temer e Aécio, que tanto bradaram em nome da ética, da moral e da idoneidade no trato da coisa pública por ocasião do impeachment da presidente e Dilma e, após a consumação deste, autointitularam-se agentes da transformação e da felicidade do Brasil, a ponto de Temer afirmar e reafirmar que o seu governo só cometeu acertos e nenhum erro.


Tal como o rei do conto de Andersen, mesmo completamente desnudados e desmascarados, Temer e Aécio insistem em bater no peito e afirmar que são, sim, os paladinos da ética e da moralidade, sendo que o primeiro, em tom ameaçador, gritou à nação que não renunciará e que continuará infelicitando-a até 31 de dezembro de 2018.


No contexto da vida imitando a arte, é difícil saber quem é o tecelão e quem é o rei, posto que todos são oriundos do mesmo covil e professam a mesma fé: escarnecer-se da nação, enquanto se  locupletam às custas dela.


As realçadas delações, para além da confirmação de que a vida imita a arte, trazem para o presente — como se este se comunicasse com o passado, em tempo real — as acerbas críticas que o Padre Antônio Vieira, com sua incomum oratória e aguçada ironia, fez no célebre “Sermão do bom ladrão”, pronunciado na Igreja da Misericórdia de Lisboa, no ano de 1655, quando afirmou que os governantes de então conjugavam o verbo rapio (roubar) em todos os modos e pessoas.


E, para mais bem ilustrar o que afirmava, invocando Santo Agostinho, contou aos presentes a seguinte passagem histórica: “Navegava Alexandre em uma poderosa armada pelo mar Eritreu a conquistar a Índia; e como fosse trazido à sua presença um pirata, que por ali andava roubando os pescadores, repreendeu-o muito Alexandre de andar em tão mau ofício: porém ele, que não era medroso nem lerdo, respondeu assim: Basta, senhor, que eu, porque roubo em uma barca, sou ladrão, e vós, porque roubais em uma armada, sois imperador?” Ao término desta, concluiu: “Assim é. O roubar pouco é culpa, o roubar muito é grandeza: o roubar com pouco poder faz os piratas, o roubar com muito, os Alexandres”.


Na atual triste quadra política que grassa o Brasil, Temer, Aécio, Joesley Batista e todos os seus iguais, incontestavelmente, são os “Alexandres”.


Mediante tudo isto, mais do que nunca, encontra-se vivo e, agora, contagiante, o brado que os  que prezam e cultuam a Ordem Democrática lançaram, logo após a golpista assunção dos “ Alexandres” ao poder: Fora, Temer; e, claro, com ele, todos os que o rodeiam e fazem do poder inesgotável fonte de corrupção.


*José Geraldo de Santana Oliveira é consultor jurídico da Contee e da Fitrae MTMS

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